sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

VACAS SAGRADAS ou só as moscas mudam mas....

É engraçado como os manos Carvalho usam a expressão Vacas Sagradas neste mundo do vinho, e numa pesquisa atenta pela Internet, fui à procura de uma crónica que tinha lido há uns meses atrás sobre as vacas sagradas, não do vinho, mas sim da nossa sociedade.

E retirando alguns trechos, sobre "outras vacas sagradas" o que fica é uma correspondência total com o mundo dos vinhos...no fundo aquela velha "estória" das moscas que mudam.....

A autora é do texto a Joana ( seja ela quem for).

Reza assim;


Portugal é um país cheio de sorte. Na Índia há mais de centena e meia de milhões de vacas sagradas, enquanto no nosso país ruminam apenas algumas centenas de vacas sagradas. E isto porque a variante lusitana da Vaca Sagrada é uma espécie urbana, recrutada num segmento social reduzido e cuja única manjedoura é a comunicação social que a alimenta a opíparas rações de artigos de opinião, entrevistas, declarações, proclamações, elegias, ditirambos, odes, soluços, etc., etc... (…)”

“Eu (a Joana) escrevi há uns meses que, enquanto nas outras espécies, o Criador providenciara, para incentivar a procriação, que o acto de geração fosse acompanhado de um intenso prazer, as Vacas Sagradas, pelo contrário, geravam-se num acto de desprazer.

Uma crítica, por menor que fosse, qualquer pretensão de melhorar ou mudar algo, expressa publicamente, que causasse desprazer a um qualquer óvulo de úteros culturais ou empenhados em “causas” alegadamente “cívicas”, causava uma fecundação e um parto simultâneos e a transfiguração imediata desse óvulo numa Vaca Sagrada. Esta espécie não conhece as alegrias descuidadas da adolescência. Não há vitelas sagradas. Aparece imediatamente sob a forma de Vaca Sagrada.

E, como qualquer (perdoem-me este blasfemo determinante indefinido) ídolo, a Vaca Sagrada, ao transfigurar-se em ícone, representa-se sempre rodeada de adoradores acocorados em êxtases sublimes.”

“Infelizmente esta espécie não serve para nada. Não as podemos exportar porque lá fora ninguém quer estas reses. Cá dentro só estorvam. Espojam-se nos carris do progresso, impedindo o tráfego. Não passam de arqueologia ideológica.”




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