sábado, 12 de março de 2011
A ILUSÃO DO PROTESTO RASCA
Assisti preocupado às imagens e às entrevistas que passaram pelos meios de comunicação sobre a manifestação da geração à rasca.
Preocupado não pelo protesto, que venha de onde vier é sempre útil e salutar. Preocupado não pela contestação ao poder instituído, principal responsável pela situação presente e que há muito já devia ter tido a decência de, em massa, se demitir de funções.
Preocupado e muito pela ilusão quase alucinante que passa pela cabeça daquela gente toda que se reuniu na Av. da Liberdade.
Protestam contra a precariedade do trabalho e contra os recibos verdes. Mas ninguém reclama mais empresas, mais empresários, mais patrões em suma.
Reclamam contra a incerteza do seu futuro, mas ninguém reclama contra a barbárie fiscal que asfixia as empresas que lhes podem dar trabalho, ninguém reclama contra a morosidade e insegurança da justiça que afastam o investimento estrangeiro criador de empresas em Portugal.
Reclamam estabilidade e felicidade, mas ninguém reclama apoios à criação de empresas e projectos que criem riqueza para ser distribuída.
Reclamam sobretudo, do governo e do estado, "empregos". Ou seja, sem saberem reclamam a sua própria tragédia.
Se há coisa que deviam pedir ao Estado era despedimentos em massa do sector público com o consequente desagravamento fiscal.
Ninguém tem direito a um emprego garantido em parte nenhuma do mundo civilizado. Esse foi a ideia mais estúpida que resultou do 25 de Abril.
Se aquela gente toda tivesse juízo teriam ido antes a Fátima pedir a ajuda divina para que Portugal tivesse mais Champalimaud(s), mais José(s) Manuel de Mello, mais Alexandre(s) Soares dos Santos e mais Salvadore(s) Caetano.
Depois da deposição da actual classe política alinhada no "centrão PS/PSD" e do emagrecimento do estado para pelo menos metade, só há duas coisas, que, juntas, podem salvar este país do abismo; uma avalanche de grandes novos empresários e uma multidão de gente ávida de trabalhar e triunfar na vida.
Como tenho a certeza que estas condições não se vão verificar todas, receio que este país caminhe, a prazo, para uma "albanização total" transformando-se no canto mais miserável da Europa.
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