O FIM DA NAÇÃO NUM HOLOCAUSTO FISCAL
37 anos após a chamada “revolução dos cravos”, Portugal perdeu Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor e Macau e como se não fosse pouco, perdeu também o seu exército e os seus soldados, perdendo concomitantemente a escola da Pátria e dos valores que o serviço militar obrigatório representava, agora trocado pela contratualização voluntária de alguns mancebos mais afoitos.
Incapaz de fazer o luto da perda do império colonial, Portugal perdeu o seu desígnio e a sua identidade atlântica, a única, aliás, que teve na sua história.
Portugal perdeu também, as suas fronteiras, a sua moeda e concomitantemente a sua independência económica e soberania fiscal. Alienou tudo isto e grande parte da sua independência política em nome de uma Europa que é a contracorrente da sua história de 800 anos.
Portugal, país verdadeiramente “provinciano”, como Pessoa já o descrevia, maravilha-se e admira-se perante essa Europa do progresso. Sob a batuta de um economista algarvio que não conhecia os Lusíadas, mas que conseguiu uma bolsa para uma pós-graduação numa obscura universidade inglesa, fez tudo para parecer o que não é, não foi, nem nunca será; “europeu”.
Para tentar atingir tal desiderato europeu Portugal procedeu nos últimos 25 anos à destruição da sua agricultura, das suas pescas e do seu tecido industrial. Desertificou o interior e abriu sem critério a sua economia a agente externos com escala, que rapidamente tomaram conta de sectores vitais. Simultaneamente vendeu grande parte das empresas que eram relevantes ao capital estrangeiro.
Em troca ficamos com muitos quilómetros excedentários de auto estradas, onde, abnegadamente, os bombeiros deste país, se substituem às parteiras, em plena ambulância, para ajudarem as mães teimosas que insistem em ter filhos no interior, mas que não os podem parir na vila ou cidade mais próxima, pois as maternidades foram encerradas por falta de verba, pelo mesmo governo que afinal tinha milhões de milhões de euros para socorrer bancos dos vigaristas da alta finança.
Portugal, as famílias e as empresas portuguesas, inebriados pelo sonho dourado do status europeu, ficam definitivamente endividadas e hipotecadas ao exterior, enquanto dois milhões de pobres tentam sobreviver no fosso da maior disparidade europeia entre ricos e pobres.
A educação é uma fraude, com uma deterioração sem precedentes do ensino público, ao mesmo tempo que as novas gerações se entretêm nas aulas, a falar e jogar no telemóvel, ou a agredir os professores, mais do que a absorver os ensinamentos para uma vida futura.
O ensino privado, exceptuados os casos clássicos de qualidade, serviu para abrir cogumelos de universidades cheias de cursos e cursos, alguns dos quais inimagináveis. Os vigaristas da praxe, também se dedicaram afincadamente a este negócio, que aliás serviu para licenciar, após muitos anos de esforço, um Sr. Eng. entretanto encarregue do cargo de primeiro-ministro.
A universidade em causa, foi, como se sabe, oportunamente dissolvida e encerrada e o ilustre engenheiro nela licenciado, olhando ao estado em que deixou o país, fez jus à qualidade do ensino nela ministrado.
A formação profissional foi uma burla de proporções gigantescas, que enriqueceu os vigaristas de serviço, com conexões às grandes empresas e aos sindicatos, pelo que, volvidos vários quadros comunitários de apoio e muitos milhões de milhões de euros, o país continua a não ser competitivo á escala internacional.
Não admira assim que os portugueses tenham perdido a sua identidade, os seus valores e o orgulho na pátria. A excepção ocorre no futebol, por ironia quando a selecção foi dirigida por um brasileiro originário de Passo Fundo.
Alguns optimistas de plantão, que vivem da política e do marketing tentam desesperadamente vender o país, mas os portugueses não compram.
Como se não bastasse o descrédito na classe política e o alheamento da coisa pública, consolidou-se a convicção que a justiça pura e simplesmente não funciona. À lentidão exasperante dos processos juntam-se cada vez mais decisões aberrantes; uns miúdos andam à pancada e filmam a cena, que vai parar ao facebook e terminam em prisão preventiva, enquanto o filho de um magistrado que compra uma arma e assassina o pai da namorada a sangue frio em plena via pública fica detido em sua própria casa com os pais.
Acaba-se também o prestígio dos magistrados, em que os portugueses já não confiam, pois cometem erros escandalosos em processos de menores e de índole familiar, escândalos que a imprensa trata de amplificar e banalizar, mesmo que raros.
A incapacidade de responder ao horror da pedofilia no processo Casa Pia, bate certo e tem a mesma matriz, que a cegueira formal dos venerandos juízes dos Tribunais da Relação, que ordenam a devolução aos pais biológicos, de crianças que outrora foram por aqueles abandonadas, em detrimento das famílias de acolhimento, que com elas criaram óbvios laços de carinho e ternura.
O povo percebe.
Afinal de contas o grau de civilização de um país mede-se pela forma como esse país trata as crianças e os idosos. É tragicamente coerente, de facto, o pano de fundo da política e das decisões judiciais.
Fechar maternidades, criar escolas públicas que são meros depósitos de crianças, sustentar com sórdidos silêncios e cumplicidades orfanatos que eram viveiros de vítimas da pedofilia organizada e devolver crianças a mães biológicas desequilibradas que não hesitam em agredi-las perante as câmaras de televisão ou simplesmente matá-las, revela um mesmo padrão homogéneo de desprezo civilizacional pelas crianças e pelos seus direitos.
O pano de fundo da barbárie dos dirigentes da nação, sejam eles legisladores, executivos ou julgadores é, aos olhos do povo, o mesmo.
E o país que trata assim o futuro representado nas suas crianças, não dá melhor sorte aqueles que são a sua memória; os idosos, que trabalharam uma vida inteira, e por isso deveriam suscitar reverência e respeito. São os mais pobres e abandonados. Às pensões de miséria acresce a incapacidade de resposta do sistema de saúde quando dele mais precisam.
É vergonhoso e inaceitável, que num país pretensamente europeu, as autarquias locais, tenham do seu próprio orçamento, que pagar aos idosos as viagens e as intervenções cirúrgicas às cataratas, realizadas em Cuba, porque o Sistema Nacional de Saúde português com as suas infindáveis listas de espera de anos, conduz á cegueira anualmente centenas de portugueses que descontaram durante décadas para a segurança social.
Finalmente os bancos, outrora um refúgio de idoneidade, segurança e seriedade, não quiseram ficar de fora da hecatombe nacional e dão a machadada completa no seu bom nome e historial; o BCP, símbolo da excelência nacional, é afinal o banco dos aumentos de capital fictício, da vigarice das off- shores e do perdão do calotes milionários do filho do presidente, valendo hoje as suas acções pouco mais que um rolo de papel higiénico.
No manicómio em que se tornou a banca nacional, antes tão avessa a notícias na imprensa, monta-se um verdadeiro circo mediático á volta de assembleias gerais, reuniões de accionistas, comissões parlamentares, programas de televisão, fóruns e blogues na internet.
O BCP não é mais um banco, mas um campo de batalha de vaidades mortas em combate. Desde Jardim Gonçalves a Joe Berardo toda a gente perde muito dinheiro e todo o poder. Para animar a festa o banco estatal, a CGD, faz impunemente empréstimos milionários sem garantias reais, com recurso ao dinheiro dos depositantes, para alimentar golpes palacianos. Parece tudo normal, mas está tudo doido.
Para tudo ser perfeito na banalidade do anormal e da loucura, o BPN transforma-se no maior roubo do século. Um buraco de vigarices de cartolas, a maioria ligados a anteriores governos chefiados pelo actual Presidente da República,vão custar cerca de 5.000 milhões de euros aos portugueses.
O facto, de todos os cartolas terem sido trazidos para a política, pelo então primeiro ministro e passarem férias todos juntos no Algarve num aldeamento pequeno e exclusivo, parece já não perturbar a anestesiada percepção popular.
Como escreve o bastonário em funções “ a pior consequência da corrupção é, indubitavelmente, a anomia da sociedade perante os sinais que a evidenciam, como se ela, apesar da sua perversidade, fosse uma inevitabilidade. É essa espécie de encolher de ombros colectivo que permite que ela se expanda ostensivamente. Corruptos e corruptores sentem-se cada vez mais impunes, pois sabem que não serão sancionados, nem através do voto democrático”
O BPP é uma segunda Dona Branca de alguns tolos que acreditam na miraculosa multiplicação do dinheiro sem esforço, mas o presidente e principal responsável da tragédia, não perde a pose e enquanto caminhava inexoravelmente para a falência, tem o despudor de editar um livro, onde o auto elogio se misturam com conselhos de…… como enriquecer no mercado de capitais. Nos EUA estaria preso, em Portugal deixa obra pedagógica nas livrarias.
Para acabar, o Banco de Portugal actua como tudo fosse o marido enganado numa ópera bufa, que, sem nada saber ou ter descoberto a tempo, aparece sempre no fim dos estragos para recolher os cacos. O inefável Vítor Constâncio nada sabe, nada vê, nada escuta, apesar de em qualquer tasca do Bairro Alto se conhecerem as vigarices do BPN e do BPP desde há muito. Tamanha descrição é premiada com uma cadeira dourada no Banco Central Europeu.
Uma mediana empresa de auditoria descobre em seis horas no BPN o que Banco de Portugal não descobriu em anos e só soube por carta anónima.
Aliás em Portugal tudo o que é relevante só se sabe por carta anónima; não fossem elas não saberíamos que um prédio dos CTT em Coimbra é vendido de manhã por 14.800 milhões de euros e revendido à tarde do mesmo dia por 20.000 milhões de euros, um record de valorização imobiliária digno de constar no Guinness Book.
Foi também por carta anónima que o Ministério Público ficou a saber das maracutaias do engenheiro licenciado na Independente, no caso conhecido por Freeport.
Dir-se-ia, com muita bondade, que a melhoria da justiça e da investigação judicial em Portugal passa pelo encerramento do Ministério Público e pela sua substituição por uma Central de Recepção de Cartas Anónimas.
Entretanto e já na história mais recente um governo suicida, liderado pelo tal engenheiro com dificuldades em licenciar-se, lança o monstruoso país em que Portugal se transformou num profundo estado comatoso. Em desespero, um abnegado Teixeira dos Santos, aplica-lhe um PEC 1, um PEC 2 e um PEC 3, mas o monstro não reage. Contínuo gordo, incapaz, deficitário e a comer desalmadamente.
Ardiloso como um rato o engenheiro do inglês técnico inventa um PEC 4. Faz a cova ao monstro e encomenda o caixão a uma troika de agiotas que lhe emprestaram dinheiro para o mais caro funeral da história da nação; 78.000 milhões de euros.
Como sempre ocorre nestes casos, aparece um grupo de jovens aguerridos, liderados por um betinho de Massamá, que, dizem, vão salvar o monstro agonizante. Bastava-lhes, argumentam, tirar-lhe o excesso de peso e gordura e tratá-lo de uma estranha forma de cancro, que se disseminava pelo corpo todo em graves metástases, ao qual, à falta de melhor termo médico, chamavam “jobs for the boys”.
Garantem que não seriam precisas cirurgias mais invasivas como cortes nos subsídios de férias e natal ou aumento de impostos. Perder peso e muito, bastaria. O povo compra a ideia até porque sabe que é sempre difícil encontrar roupa de números grandes na Zara.
Passado 3 meses, vê-se que genica dos jovens capitaneados pelo betinho de Massamá era fogo fátuo. O desgraçado do doente continua gordo e mal cabe no caixão que Sócrates encomendou.
O secretário português da troika, de apelido Gaspar, um desconhecido mas bem relacionado burocrata europeu, que por coincidência assumiu o ministério das finanças, esforça-se diariamente em continuar a alimentar o monstro à custa da ração diária da populaça, explicando pausadamente e repetidamente, a todos, que tudo se curaria com….. “consolidação orçamental”, expressão que os portugueses descobrirão, num futuro próximo, ser sinónimo do Auschwitz da classe média .
Simultaneamente, o novel secretário da troika, que entretanto já meteu no bolso o betinho de Massamá e o Professor de Vancouver que insiste em ser tratado por Álvaro, tira, extasiado um coelho da cartola; mais de 7 milhões de portugueses estão bem na vida!!!
Ganham 545 euros por mês, ou mais ainda.
545 euros !!! Número mágico, quase cabalístico a partir do qual se separa a pobreza da riqueza. Quem ganha até à quantia de 545 euros é reconhecido como necessitado e não deve, assim, suportar novos aumentos de preço dos passes sociais nos transportes públicos.
Já quem ganha um pouco mais, 546 euros por exemplo, pode aproveitar o euro extra e comprar um lote de 4 acções do BCP. Não deixa de fazer sentido aquela que parece ser a tese oficial do governo; não se pode ter potencial para ser accionista do maior banco privado português e simultaneamente ter descontos no passe social. Ou bem que se é banqueiro, ou bem que se é pobre. As duas coisas ao mesmo tempo é que não !
Nessa extraordinária equação pobre/rico, Portugal criou um sistema tributário único no mundo; só os miseráveis e os milionários se salvam da tirania fiscal. Ainda ontem, Paulo Macedo, o homem que veio da banca e dos seguros de saúde privados para salvar o SNS, naqueles paradoxos só possíveis num governo liderado por um betinho de Massamá, afirmava com indisfarçável desconforto numa entrevista televisiva, que existe “consenso” no governo para isentar das taxas moderadoras,…. os desempregados e os que auferem o SMN, como se isso fosse matéria controversa que necessite de algum consenso.
A maioria do povo e da classe média, emparedada entre os miseráveis e os milionários, ficarão assim gradualmente sujeita a um verdadeiro HOLOCAUSTO FISCAL.
Mais IVA em bens essenciais, mais aumento do IMI, fim das deduções fiscais com a saúde e a educação dos filhos, aumento dos transportes, corte de metade do subsídio do natal, aumento em 2012 de todos os impostos, agravamento das taxas de moderação no SNS tudo conjugado com congelamentos de salários e de progressão nas carreiras e amplificado pela explosão do desemprego, pela contracção brutal da economia e pela inflação induzida pelos impostos indirectos, exterminará em dois ou três anos, milhões de cidadãos da classe média, gerando um empobrecimento COLOSSAL e HISTÓRICO para utilizar a terminologia oficial.
Enquanto isto ocorre do lado da receita, Vítor Gaspar, instado por um jornalista para saber onde estavam afinal os tão anunciados cortes da despesa tem uma tirada que diz tudo sobre o que realmente o motiva; afirma que é preciso notar que a redução da despesa total foi de 50,6% do PIB em 2010 para 48,5% do PIB em 2011, ou seja uns míseros 2,1%, que devem obviamente ser creditados ao seu antecessor. Da sua autoria, em brasileiro fluente, ainda não cortou “porra nenhuma”.
CONCLUINDO ; Portugal e o seu sistema político democrático, económico-financeiro, social, judicial, NÃO SE LIMITOU A FALIR. Enlouqueceu, entrando numa escala de diabolização sem precedentes, funcionando numa indiferença e autismo total face às necessidades da população, sufocadas por um monstro que o governo quer manter a todo o custo.
Mas o país, tem um POVO e uma NAÇÃO, que é alma que o agrega. Essa nação, fustigada por tudo isto, não tarda nada deixa de fazer sentido. Esgota-se.
Findas as muletas históricas do ouro, especiarias, escravos, colónias e finalmente dos dinheiros comunitários a nação não tem identidade, não tem desígnio nacional, está envelhecida, empobrecida e endividou as gerações futuras.
Como se não bastasse o desalento, a nação não tem uma verdadeira ELITE que reinvente o país e lhe dê um rumo. A elite existente tem-se mostrado mais um perigo gang de aves de rapina do que verdadeiros líderes de uma nação.
O descalabro financeiro que se instalou e que se vai agudizar é o TNT que irá fazer implodir o país. Está pois mais do que na hora de o POVO salvar a NAÇÃO.
Salvá-la, tomando conta dela e acabando com a elite, antes que a elite acabe com ela.
Isto significa REFUNDAR A DEMOCRACIA, retirar os deputados de São Bento e colocar lá, imediatamente, quem lá deve estar; OS REPRESENTANTES DO POVO.
E ISTO TEM TUDO A VER COM A CONSTITUIÇÃO. Se a actual permitiu chegarmos aqui ela pura e simplesmente NÃO SERVE.
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